Eleições 2016: o grande desafio de Marcelo

Eleições 2016: o grande desafio de Marcelo

catsAs eleições no Rio de Janeiro estão só começando. O resultado das urnas neste domingo (2) definiu uma disputa em segundo turno entre os candidatos Marcelo Crivella (PRB), que obteve 27,78% dos votos válidos, e Marcelo Freixo (PSOL), com 18,26%. O mais curioso é que os dois candidatos não poderiam ser mais diferentes, e isso vai muito além da posição política ou as propostas de cada um. Basta assistir às campanhas na televisão ou aos debates.

De um lado Crivella, que transmite a sensação de que é competente e que vai, de fato, cumprir o que promete e cuidar do Rio de Janeiro e dos cariocas. A questão é: todos sabem que ele é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, e acaba trazendo o lado pastor na fala e na postura. Isso acaba afastando aqueles que enxergam o fato como um empecilho para digitar 10 nas urnas. A comunicação do candidato deixa difícil desassociá-lo de Edir Macedo e tudo que ele representa.

Do outro lado, Freixo mostra que é uma pessoa inteligente, com raciocínio rápido. É visível que é um professor, pois ele traz isso em sua fala. No entanto ele também tem uma postura extremamente agressiva, e tem dificuldades em equilibrar questões que pesam contra si, como por exemplo, a acusação de que o candidato “defende bandidos”, em alusão ao seu trabalho polêmico na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.

O desafio dos dois candidatos passa, sem dúvidas, pela forma como se comunicam. Afinal, falar com seus próprios militantes é fácil. Essas pessoas já compraram suas ideias. Mas, como disse o jornalista Pedro Dória em coluna do Jornal O Globo, o medo de um novo Garotinho existe, bem como o de um prefeito que se ponha em constante resistência ao golpe imaginário. O desafio? Parar de falar apenas com essa militância e dialogar com os demais. Aproximar o discurso.

Sim, por que ambos têm um discurso que distancia. Crivella precisa provar que não é apenas um pastor se dirigindo aos fiéis de sua igreja, mas um gestor competente com anos na política. Freixo precisa mostrar que a acusação do candidato Pedro Paulo não faz sentido, e que sua influência vai muito além da Praça São Salvador. Ou seja, ambos precisam mostrar que, caso sejam eleitos, vão governar para todos. E quem conseguir comunicar isso da melhor forma, ganha confiança dos cariocas e, consequentemente, a eleição.